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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Inovação: Não coagir, nem abnegar

Já é conhecido entre os profissionais de informática o ditado que diz que “Mudou a cor da grama, o burro morre de fome”. Muitas vezes utilizado de forma irônica, a expressão não quer dizer nada mais de que, se mudar qualquer fluxo padrão que o usuário faz ou vê no sistema, ele se perde, reclama e insiste que tudo deveria ser do jeito antigo, ainda que não fosse eficiente.
Quem nunca ficou decepcionado com uma criação bem implementada ou uma ideia inovadora que, quando colocada em prática, atraiu fortes críticas e revoltas? Nem as grandes empresas estão isentas disso. Quando, por exemplo, o Facebook muda algo em sua página, não faltam protestos de usuários que nem ao menos tentam entender como funciona a nova implementação, e logo já é criada uma extensão nos navegadores para “dar um jeitinho” no código da página e deixar tudo como era, do jeito antigo. Podemos citar como exemplo as mudanças que ocorreram no chat e a funcionalidade da linha do tempo no Facebook, que hoje não faltam extensões ouhacks para reverter tudo para como era antes.
Ainda citando grandes empresas, quem não se lembra do fiasco que foi o Google Wave? A ideia era inovadora, muita expectativa estava no lançamento da nova plataforma de disseminação e compartilhamento de informações, com aspecto social. Mas, o que deu errado afinal? Por que tantas críticas e, o mais intrigante, se era tão inovadora, por que não vingou? Acredito que alguns fatores contribuíram para isso, entre eles: Uma expectativa excessiva pela inovação antes de ela ser revelada, muitos bugs presentes na versão aberta ao público e falta de integração com as ferramentas já existentes tornando-a uma plataforma ilhada.
Podemos aprender com os erros dos outros. A inovação é necessária, e os profissionais de TI precisam ter um equilíbrio na hora de coloca-la em prática. Não pode ser imposta tiranamente sem levar em consideração a experiência do usuário e seu treinamento para absorver suas vantagens. Mas também não pode ser freada por usuários acostumados com a mesmice, usuários que muitas vezes têm preguiça de pensar e aprender o novo, sabendo que será melhor para ele se realmente conseguir usufruir do novo. Nós mesmos, quando na posição de usuários, as vezes resistimos a mudança, mas depois que acostumamos, não queremos mais voltar ao velho. Podemos citar o Windows. Quem estava acostumado com o Windows XP estranhou muito o Seven no começo, mas a medida que acostumou com ele, pôde ver que ficou mais ágil e agradável seu uso. E, estamos prestes a passar por mais uma mudança, com o Windows 8 e sua interface Metro chegando. Como usuários, basta nos desprendermos de força de vontade para nos primeiros dias acostumar com as mudanças e após isso, tudo fica natural novamente.
Voltando a falar de inovações, podemos citar ainda aquelas que cativaram o público. Quem há alguns anos atrás imaginaria que telas sensíveis ao toque seriam tão comum como são hoje? Contudo a Apple conseguiu disseminá-las no mercado, e encheu os olhos dos consumidores que ficaram praticamente hipnotizados com a tecnologia (que nem nova era, pois a Microsoft já tinha o Surface). É claro que, mesmo assim, não é todo o público que consegue ser atingido. Meus avós por exemplo, creio que jamais utilizarão um iPad.
Mas, o que afinal possibilita que uma inovação seja aceita, analisando esses cases de sucesso e fracasso de grandes empresas? Não há uma fórmula mágica, mas vários fatores podem contribuir.
Primeiro, a inovação deve ser útil, e fazer algo melhor do que o que já existe. Isso é primordial, pois uma inovação não pode piorar a vida das pessoas, mas melhorar, facilitar.
O lançamento da inovação também deve ser certeiro. Não se pode demorar muito a ponto do mercado ter se adiantado e inovado, e nem lançar algo às pressas e cheio de bugs. Lembremos novamente do Google Wave. Suas funcionalidade hoje foram absorvidas (leia-se copiadas, com sutis diferenças) por vários sistemas e redes sociais, pois eram realmente inovadoras. Mas o Wave em si foi um fiasco, por ter sido lançado quando ainda não estava totalmente pronto e funcional.
É difícil admitir, mas sorte também é algo necessário. Tudo depende de como o público irá absorver a ideia, de como o mercado está na época e de como a novidade vai repercutir. Mas é uma variável que não temos controle, e resta esperar que esteja a nosso favor.
Finalmente, é importantíssimo a perseverança. Não é porque uma inovação não foi bem aceita de início que ela deva ser desconsiderada. Ouvir o usuário, tentar melhorá-la, e as vezes até dar alternativas por um breve período de se utilizar a versão antiga até ter um feedback completo do que é realmente eficaz, faz parte de um bom processo de mudança. E, mesmo que uma inovação não der resultado de jeito algum, jamais poderemos ter medo de inovar. Falhar é natural, mas na persistência, uma hora sempre dá certo.

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